O Bitcoin, a criptomoeda pioneira, tem despertado crescente interesse no mercado financeiro global. Longe de ser apenas um ativo para especulação, como era visto no passado, o Bitcoin hoje é adotado por grandes instituições, governos e empresas, consolidando-se como um ativo com potencial de ser uma reserva de valor, semelhante ao ouro. No entanto, sua alta volatilidade ainda assusta muitos investidores, especialmente os iniciantes no mercado de renda variável.
A Natureza e o Potencial do Bitcoin
Uma das características mais marcantes do Bitcoin é sua escassez: existem apenas 21 milhões de unidades disponíveis. Essa oferta limitada, combinada com o aumento da demanda, confere-lhe uma natureza deflacionária, tendendo a preservar seu valor ao longo do tempo. Além disso, o Bitcoin oferece altíssima liquidez, permitindo transações rápidas e com baixos custos, 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Apesar de seu crescimento significativo, o potencial de valorização futura do Bitcoin, embora ainda considerável, não deve ser esperado na mesma magnitude dos últimos 10 a 15 anos, dado que seu valor de mercado já alcança trilhões de dólares. Para que a tese de reserva de valor se concretize plenamente, o Bitcoin ainda precisa provar sua permanência e robustez ao longo do tempo, visto que foi criado apenas em 2008. Para iniciantes, a recomendação é começar com percentuais conservadores da carteira (2-3%) para se habituar com seu funcionamento.
Três Formas de Investir em Bitcoin
O vídeo detalha três caminhos principais para quem deseja se expor ao Bitcoin:
1. ETFs (Exchange Traded Funds) no Brasil:
Vantagem: É a opção mais prática para o investidor brasileiro, pois permite o acesso através da sua corretora local (como Rico, Nubank, Inter, BTG, XP).
Desvantagem: Envolvem taxas de administração mais elevadas, geralmente entre 0,39% a 0,70% ao ano. Além disso, esses ETFs no Brasil não compram Bitcoin diretamente, mas sim cotas de outros fundos no exterior que se expõem ao criptoativo. Exemplos mencionados são QBTC11 e Bit11.
2. ETFs nos Estados Unidos:
Vantagem: Apresentam taxas de administração significativamente mais baixas, girando em torno de 0,15% a 0,25% ao ano. Oferecem também maior liquidez, sendo o maior ETF de Bitcoin (IBIT) localizado nos EUA, detendo cerca de 3,5% dos Bitcoins em circulação.
Desvantagem: Exige a abertura de conta em uma corretora estrangeira e a necessidade de realizar o câmbio de reais para dólar. Esse processo incorre em custos como o IOF (1,1%) para investimentos e o spread da corretora (cerca de 1,5%), que representa o ganho da corretora na conversão.
3. Compra Direta via Exchanges (Corretoras de Criptomoedas):
Vantagem: Permite a compra direta do Bitcoin, dando ao investidor uma exposição real à criptomoeda, ao contrário dos ETFs que oferecem exposição indireta.
Custos: Envolve uma taxa de trading (corretagem) que varia de 0,1% a 0,5% do valor negociado, dependendo da exchange.
Principal Desvantagem: A Custódia. Ao comprar Bitcoin via exchange, o ativo geralmente fica sob a custódia da corretora, e não do investidor. Isso expõe o investidor ao risco de ataques hackers ou falhas da corretora, que podem resultar na perda dos Bitcoins, já que a exchange detém a chave privada que autoriza as transações.
Autocustódia: Assumindo o Controle
Para mitigar o risco da custódia por terceiros, existe a opção da autocustódia. Neste modelo, o investidor adquire uma "carteira" (wallet) e gera sua própria chave privada, ligando-a ao endereço de seus Bitcoins na blockchain. Dessa forma, ele se torna o único responsável pela autorização das movimentações. No entanto, a autocustódia exige uma grande responsabilidade do investidor, pois a perda das frases de recuperação ou o manuseio incorreto da chave privada pode resultar na perda irrecuperável dos Bitcoins.
Existem dois tipos principais de carteiras para autocustódia:
Hot Wallet (Carteira Quente): Geralmente softwares em computadores ou aplicativos (ex: Metamask), que estão online e, portanto, correm mais riscos.
Cold Wallet (Carteira Fria): Dispositivos físicos (hardware wallets) com pouca ou nenhuma conexão com a internet, consideradas a forma mais segura de autocustódia. Em caso de perda do dispositivo, os Bitcoins podem ser recuperados através de uma sequência de 12 palavras (frases de recuperação), cuja guarda segura é fundamental.
É importante ressaltar que o Bitcoin não fica fisicamente na carteira; ele permanece na blockchain, e a carteira apenas armazena a chave que autoriza sua movimentação.
A Estratégia da Apresentadora e Recomendações
A apresentadora do vídeo compartilha sua própria estratégia: ela compra Bitcoin diretamente através de exchanges e, após acumular um certo valor, transfere para sua cold wallet para realizar a autocustódia. Ela utiliza a OKX, destacando-a como uma corretora intuitiva, fácil de usar e com boas taxas, além de ser a quinta maior em valor de mercado. A OKX oferece diversas formas de proteção de conta, como validação facial, autenticação em dois fatores e código anti-phishing.
Um ponto relevante para investidores no Brasil é a possível isenção de Imposto de Renda sobre o ganho de capital na venda de criptoativos de até R$ 35.000 mensais, caso a Medida Provisória em vigor se torne lei, aplicável a vendas realizadas por meio de exchanges brasileiras.
A recomendação final é testar diferentes exchanges para encontrar a que melhor se adapta às suas necessidades em termos de taxas e usabilidade.
Em suma, investir em Bitcoin oferece diversas oportunidades e modalidades, mas requer uma compreensão clara de seus riscos, custos e, principalmente, das responsabilidades associadas à custódia dos ativos. Seja através de ETFs ou da compra direta, a decisão deve ser informada e alinhada ao perfil e conhecimento do investidor.