O Retorno da Doutrina Monroe e o Brasil na Encruzilhada Geopolítica de 2026
O cenário geopolítico global atravessa uma transformação profunda que, segundo análises recentes, pode estar nos conduzindo inevitavelmente para um terceiro grande conflito mundial,. O ponto de inflexão central é a mudança na Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, que abandonou a visão de uma ordem multilateral coordenada para focar estritamente no interesse nacional e na proteção do hemisfério ocidental,. Este movimento, descrito como o "Corolário Trump" à Doutrina Monroe, coloca a América do Sul diretamente na linha de fogo das superpotências.
A América do Sul como Território de Disputa
A percepção histórica de que a América do Sul é "território americano" está sendo reativada diante do avanço da China e da Rússia na região. A China, hoje a maior parceira comercial de países como o Brasil, tem consolidado sua presença por meio de investimentos massivos em infraestrutura e acordos comerciais que beneficiam as populações locais, como a construção de mega portos e estradas,,.
Para os Estados Unidos, essa influência é uma ameaça à sua hegemonia. O foco atual na Venezuela — detentora das maiores reservas de petróleo do mundo — não é visto apenas como uma operação contra cartéis, mas como um esforço para transformar o país em um "vassalo econômico" e frear a expansão chinesa. O Brasil entra nesse cálculo de forma crítica: o país substituiu os agricultores americanos como o principal fornecedor de soja para a China, estreitando laços que os EUA agora desejam romper,.
O Coração da Eurásia e a Aliança do "Pesadelo"
A análise resgata a teoria de Mackinder sobre o "Heartland", que sugere que o controle do continente euroasiático é a chave para a supremacia global,. Historicamente, potências marítimas como a Grã-Bretanha e, posteriormente, os EUA, buscaram manter a Eurásia dividida para evitar o surgimento de um competidor unificado,.
Entretanto, as sanções econômicas e a pressão militar estão empurrando a Rússia diretamente para os braços da China, criando uma aliança que inclui o Irã e, potencialmente, a Índia,. Este bloco representa um "pesadelo" para o sistema financeiro baseado no dólar, pois o desenvolvimento de rotas comerciais terrestres e sistemas de troca alternativos poderia tornar a dívida trilionária americana insustentável,. O Irã, como pivô geográfico dessas rotas, torna-se um alvo prioritário para tentativas de mudança de regime sob pretextos diversos,,.
A Ilusão do Controle e a Escalada Inevitável
Um dos pontos mais alarmantes para reflexão é a ilusão de que guerras podem ser limitadas. A história demonstra que conflitos iniciados com objetivos estratégicos pequenos frequentemente escalam além do controle humano, como ocorreu no Vietnã. Atualmente, o envio de tropas ou o confisco de ativos russos na Europa é visto por alguns líderes como um "ajuste de balança", mas carrega o risco de uma reação em cadeia global,.
Se a soberania de países sul-americanos for violada em uma escalada contra a Venezuela, nações como o Brasil podem se ver forçadas a agir, seja por solidariedade regional ou para proteger seus próprios interesses comerciais e políticos, temendo que "se a Venezuela cair, todos cairão juntos".
Conclusão
A transição de uma ordem unipolar para uma multipolar raramente ocorre de forma pacífica,. O que se observa hoje não é apenas uma disputa por recursos como o lítio (essencial para o futuro tecnológico e concentrado na América do Sul), mas uma luta pela própria definição das regras do jogo global,.
Para entender o risco atual, imagine uma floresta seca onde diversas fogueiras pequenas estão sendo acesas simultaneamente em pontos distantes — Ucrânia, Oriente Médio e América do Sul. Os responsáveis acreditam que podem controlar cada chama individualmente para limpar o terreno ao seu redor, mas ignoram que o vento da interdependência global pode, a qualquer momento, unir esses focos em um único incêndio incontrolável que consumirá toda a floresta.